Si hortum in biblioteca habes deerit nihil

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10 de março de 2016

Regozijo - Fim da Revolta no Brasil -10 de Março




18.03.1894

Não fora eu andar entretida a escarafunchar quem entrava e saía pela Estação de Paialvo no período áureo desta, e nunca saberia da existência do sr. José Pereira Prista Sobrinho e seu estimado irmão os quais, devido à extremada amizade de ambos e ao regosijo do primeiro por via do segundo, me deram a conhecer, a mim e a alguns leitores do blog (outros sabem tudo), uma dissensão ocorrida nos finais de XIX entre os nossos irmãos brasileiros. Tratou-se da Revolta da Armada que, felizmente para a família do sr. José Pereira Prista Sobrinho, para os oficiais sublevados não tanto, levou à rendição destes últimos em 10 de Março de 1894.
Ora esta ocorrência, embora importante, não aparece aqui porque a boa nova tenha aparecido em Tomar através do Caminho de Ferro (embora depois, penso eu, os jornais com a descrição de todos os pormenores, tenham chegado, através do comboio correio a Porto da Lage) pois, como vemos, a notícia chegou por telegrama. O telégrafo é, em Portugal, anterior ao comboio e a estação de Tomar foi das primeiras do país, ficando localizada numa elevação que se passou precisamente a chamar o Telégrafo, perto das actuais Algarvias. Voltando ao que estava a dizer, o que me impressionou nesta notícia foi a facilidade com que qualquer cidadão (embora eu suspeite que o sr. José Pereira Prista Sobrinho não fosse um cidadão qualquer), para festejar um acontecimento pessoal, pusesse a banda (a mandasse saír) a tocar e os foguetes a troar para gáudio da população em geral (rimou mas ficou bem, veio a propósito). O que me parece é que a burguesia endinheirada do sec. XIX era mais amiga de partilhar as suas alegrias com a populaça do que a actual! Nascia o herdeiro, formava-se o sobrinho, acabava a escaramuça lá na terra do mano, banda na rua, girândolas no ar, festa para todos.
Olha se agora fosse assim? Como não conheço os tomarenses ricos, façamos o exercício com os nacionais. Nasce um neto ao sr. Américo Amorim. Quem o sabe? As revistas cor-de-rosa que dão conta dos festejos do baptizado na igreja tal, no restaurante não-sei-quantos já o caso está requentado. Ora assim muito obrigada, mandou ele desfilar a Madonna e a Lady Gaga e afins pela Avenida da Liberdade, cantando a celebrar o evento para regosijo das gentes? Não mandou! E o Cristiano que até já foi povo e tudo? Por acaso oferece concertos do Tony Carreira quando festeja o emagrecimento de manas e mãe? E a sôdona Isabel dos Santos, comemorou a vitória do papá sobre o golpe de estado daqueles rapazes em que um ficou cheio de fastio durante algum tempo o que até o ajudou porque ficou um top model, dando um mega-concerto na cidade do Porto, que é casa da família, com os óculos do sr. Abrunhosa que andam por aí a chamar pela mãe, coisa que deixa o povo comovido? Ah pois não! 
O quê, a populaça esclarecida não ia reagir bem?! Pois, é capaz, o povo, ingrato, quando pensa só se prejudica. 
O que lhe vale é que o poder, o legítimo, o instituído, lhe continua a fornecer a música que gosta. 
E agora até temos um presidente que, além do mais, nos oferece cantorias para todos os gostos (acho que se diz transversais), viram ontem - que indomável inquietação? tão querido! (sem ironia, eu gosto dele, Deus Nosso Senhor lhe conserve aquele jeito,e a nós também, Amen) (MFM)



A Revolta da Armada foi uma rebelião iniciada por algumas unidades da
  Marinha do Brasil contra o governo do presidente da república marechal
Floriano Peixoto (1839 - 1895) (na foto)




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