Si hortum in biblioteca habes deerit nihil

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30 de dezembro de 2021

Bom Ano Novo



"Paisagem de Inverno com esquiadores e armadilhas de pássaros", Pieter Bruegel, o Velho


"O Inverno do nosso descontentamento foi convertido agora em glorioso Verão por este sol de York, e todas as nuvens que ameaçavam a nossa casa estão enterradas nas profundezas do Oceano ...." 

                                                                                                    Ricardo III, William Shakespeare


A paisagem, "fofinha" de bilhete postal, bela, harmoniosa e superiormente pintada, retrata, ao que li de viés não tendo coragem para chegar aos pormenores, a montagem de uma cruel forma de apanhar pássaros. O início da tirada de Ricardo III na peça com o mesmo nome de W. Shakespeare, aparentemente um feliz anúncio de futuros dias radiosos, não é mais do que a forma escarninha de aquele anunciar sim, mas que se prepara para semear a discórdia como modo de obter o poder. Dois exemplos de duas obras-primas que nos aparecem muitas vezes, retirados do contexto, a significar o contrário do que originalmente queriam dizer.Virá daí, também, o génio das obras de arte? De podermos, a partir delas, “fazer as leituras" que quisermos?

Mas a que se deve toda esta conversa, tão despropositada quanto o estafado termo “fazer leituras”? Deve-se a eu ter achado que ficava bem pôr aqui uma paisagem cheiinha de neve para vos desejar um Bom Ano de 2022, como contraponto ao calor que se lembrou de nos acompanhar neste fim de ano. E então, lá fui procurar esta pintura de que sempre gostei, mas que nunca tinha estudado e depois, uma coisa leva a outra… E pronto, foi assim! Aprofundar as coisas não dá geralmente bom resultado. Desculpem. E façam por ter um Ano Novo com saúde, sem se preocuparem em demasia, lá está, sem irem muito ao fundo das coisas.. (MFM)